Fui .

14:39 / Publicada por tania /


Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.

És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.

És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.

És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.

És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.


Miguel Torga

(Morri pro mundo) .

1 comentários:

Comment by Zi-Yellow on 14 de janeiro de 2010 às 04:18

"És a beleza. És o teu nome."
Não preciso de escrever por palavras o que te quero dizer com estas duas frases retiradas do lindo poema de Miguel Torga. Penso que és suficientemente inteligente para percebes o que és sem que te expliquem. Com ou sem pessoas, com ou sem família. És, e pronto.
O meu poema seria feito da seguinte forma: (para ti, com o meu maior amor).

"És linda
Não há ninguém que substitua a tua doce imagem
Não há estrelas no céu se não existires
Tal como não há sol
Se não brilhares todos os dias da tua vida".

Andreia Carole
(Vivo pro mundo).

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