Papá, o que vamos oferecer à mamã no aniversário?
Papá, dás-me aquela boneca?
Papá, contas-me uma história?
Papá, papá, papá, papá. Onde estás?
Foi com VI anos.
Agora com XX, ainda te chamo papá. Mas só te peço uma presença constante.
Não há dia que não te chame, não há dia em que não pense em ti.
Penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou.
Ainda dói saber que não vais jamais! Criticar as minhas atitudes. Dói saber que não vais dar-me a mão como motivo de orgulho. Dói saber que as birras já não fazem sentido, porque afinal não estás.
O mundo levou-te para longe de nós.
Agora, estou numa mesa de esplanada, a tomar um copo de tudo. Sinto-te a conversar comigo, sinto-te a admirar a mamã, ao dizer-me que escrevo com as costas curvadas.
Sinto-te num mundo tão meu. Só meu.
O jogo nunca mais foi o mesmo. O livro não acaba mais!
Esta data, esta hora.
Sei eu, sei eu.
IV de Junho de 2009;
16:16.
Quero voltar a III e Junho de 2007. Estavas aqui, quase com Quarenta anos.
Quero que permaneças aqui, agora com quase Quarenta e dois anos.
Iria ser um Domingo fantástico. Uma noite encantada. Que agora fica para o resto da Vida.
Sinto falta da bofetada que não me deste.
Sinto falta da repreensão que nunca me fizeste.
Um abraço do nada, um olhar que se afasta, um choro escondido, um Adeus para sempre.
Uma ferida que dói, não por fora, mas por dentro.
Ouço o mar, estou numa praia qualquer, procuro por ti, no horizonte.
A chuva cai devagar. A noite devora-me em silêncio. Ao fundo, És tu. Meu, para sempre Meu.
Levas-te para longe um pedaço de mim.
Ao fundo És tu. Meu, para sempre Meu.
Fiquei com fantasmas, as palavras voam, a cidade está vazia.
Vês a espada? Já atravessou, já estou na estrada.
Agora bebo goles pequenos de I futuro sem Ti.
Ao fundo, És tu. Meu, para sempre Meu.
Quero correr, mas não tenho pernas. Perdi-te na Vida.
VIDA? QUAL VIDA?
A vida é um conceito muito amplo e admite diversas definições. Pode-se referir ao processo em curso do qual os seres vivos são uma parte; ao espaço de tempo entre a concepção e a morte; a condição duma entidade que nasceu e ainda não morreu; e aquilo que faz com que um ser vivo esteja vivo. Metafisicamente, a vida é um processo constante de relacionamentos.
Alguns chamam de vida, eu chamo de passagem. A minha já encurtou porque perdi uma peça importante do Xadrez. O Rei!
A caneta deixou de escrever.
- Papá, não aumentes o volume do rádio. Estou ao telefone.
- Sempre com isso filhota, um dia destes tiro-te isso.
- Papá, não sejas assim para mim. (com I sorriso maroto de quem ama demais.)
- Ri-te, ri-te.
Momentos indescritíveis, que não me saltam da voz.
Sempre fui uma pessoa que lidou bem com a morte. Nunca tive medo de morrer, apenas receio a forma como possa vir a acontecer.
Mas esta história deixa-me sem fôlego para mais. Dou-lhe a outra face se Ela te trouxer de volta.
Preciso de ti, mais do que nunca.
Volta, e volta para sempre.
Assim posso finalmente dormir serenamente, tranquila e sem medo.
IV é o meu maior fracasso, o meu maior devaneio.
Minto se disser que ultrapassei, minto se disser que a saudade diminuiu.
Verdade?
MORRO DE SAUDADES TUAS. És a minha quimera, a minha fantasia, a minha ficção, a minha imaginação, a minha visão, a minha ilusão.
Fazes-me falta, mais do que água, mais do que o sol.
Dou Vida à Vida para te ter de volta.
II anos, o que são II anos?
Uma breve corrida à última data, um breve bocejar, um leve piscar das luzes da cidade às VI horas da tarde.
O que sou eu sem ti?
Uma madrugada lenta, uma louca livre, um sinal de passagem proibida.
O dia está cinzento como papel sem cor, os carros não se cruzam. As pessoas não são pessoas e as árvores não têm vida.
E eu, bem, eu não sou nada sem ti.
Volta;
Volta;
Volta;
Volta!
Deixa-me ser alguém, deixa-me ser um pouco mais.
Da cor à vida, dá voz ao sol.
Estou à espera para jantar.
(Ela fez a massa preferida dele)
04/06/2009
