Trago a fisga no bolso de trás .

02:01 / Publicada por tania / comentários (1)

O mar e o céu vivem de mãos dadas no horizonte. Nós tambem.

O céu já era meu, ainda eu lhe dava pontapes. Nasci com a cabeça ao contrario.
Tal como agora.
Interesses? Filosofia e mar.
A filosofia das pessoas, a filosofia das coisas.
O mar. O mar da vida, o meu mar. O meu teu nosso.
Sair de manha, ver o mar. Filosofar.
Gostava de pegar na prancha de surf, ir apanhar ondas na linha de cascais.
Ondas? Em Cascais?
Ja passa das seis. Em cascais nao ha ondas.
Não sei se é a isto que os deuses chamavam amor, mas cada vez que chego e tu me abres o portão para me deixar entrar no teu corpo e no teu coração, sinto que todos os elementos estão sob o mesmo tecto.
Gosto de te ver ao espelho, tens aquele ar de menino que nunca deixou de jogar à bola, que nunca deixou de roubar chocolates da dispensa.
São meninos para sempre e podem viver para sempre no coração de uma mulher.
Viveste no da mãe, agora vives no meu.
Tens a infância guardada numa caixa escondida debaixo da cama, a adolescência dos copos e das drogas leves, o teu melhor amigo que roubou a miúda de quem gostavas no Verão em que fizeste 18 anos, a primeira vez que andaste à pancada, o medo do outro ser mais forte e de se rirem de ti, a vontade de sair de casa e abraçar o mundo, e depois a solidão repartida entre as mulheres que desejaste e nunca tiveste e as outras, as que te incendiavam o corpo e te deixavam o coração em pedra porque nunca as amaste.
Quero que des um salto, o salto da tua vida. Da-me a mao, e pensa que aqui tudo vai acabar. Deste lado tens uma vida nova, uma vida comigo. Uma vida boa e cheia de chocolates na dispensa.
O amor tem muitas formas e muitas cores, mas só um segredo o faz resistir à mudança dos mundos e quem sabe se tu, que tens a alma de um chefe índio que ganhou muitas guerras sem ir a batalhas, tens a chave do nosso amor guardada no peito à espera que eu a descubra e a vá buscar.
Eu vou.

Abres-me o portão?